sábado, 26 de dezembro de 2015

Eu poderia começar este blog falando sobre coisas que trazem muitas pessoas para a leitura de publicações, como: moda, comportamento, famosos, músicas e etc. Essas coisas que podemos ver em todos os blogs. Mas eu não vou falar sobre isso, quero falar sobre coisas diferentes ("Nossa! Ele está dizendo que o blog dele é diferentão, pioneiro, vanguardista, inovador!". Poderia até ser, mas não...).
Serão coisas diferentes, mas elas podem se encontradas até em um grão de areia.

Onde está a minha educação? Devo me apresentar. Eu adotei o alcunho de "Revolucionário Morto" porque eu quis e também porque é o que eu sou. Os meus companheiros de escola, o meu clã me chamou assim certa vez. O motivo? Eu sou o tipo de pessoa que na vida social age de uma maneira completamente diferente do que na vida privada. Na vida privada, posso me descrever como esquisito, tímido e incapaz de ter algum pingo de coragem, sendo que muitas vezes tenho violentas mudanças de humor e agressividade. Mas no social eu me comporto como um líder nato, consigo falar bem em público e arrastar multidões para o meu lado, tomo as decisões pelos meus seguidores e faço mudanças drásticas por onde passo, seguindo os meus ideais. Sou um revolucionário que morre ao pisar em casa. O Revolucionário Morto. E minha sepultura é a cama, o caixão é o travesseiro, onde tudo o que eu fiz ou tento fazer em uma falha e vacilante caminhada, escorre como sangue de tudo que eu preguei. As ideias pregadas por mim forram assassinadas. Elas não me pedem socorro ou algo do tipo, apenas gemem de uma maneira que perturbam o meu sono, me assombram como o Tic-Tac dos relógios, porque essas ideias foram mortas por mim. E um Revolucionário morre com suas ideias.

Como já disse, sou um morto assassino. E meio confuso, nem eu entendo, deve fazer parte da charada que eu sou. Espero que esta questão que vou tentar abordar aqui hoje seja uma questão que atinge muitas pessoas por terras e mares a fora. Eu sou o mais velho de três netos. O primeiro menino da família. Fui muito esperado, até porque na época o meu avô tinha 65 anos, minha avó 56 e meu pai estava doente (síndrome do pânico) e minha mãe também teve dificuldades de engravidar. A gravidez foi difícil. Mas às 18:07 do segundo dia do mês de setembro do ano de dois mil, eu nasci. Tenho uma deficiência no cérebro, nada de mais, só afeta minha parte motora (minha perna direta não funciona bem).
Nada me atrapalhou, ao longo da vida fui conquistando o meu espaço centímetro a centímetro a centímetro, me tornando o favorito. Em dois mil e dois o meu primo nasceu, filho do filho favorito, mas não roubou o meu posto. Desde pequeno fui criado no cristianismo romano e ate os meus sete anos, eu queria ser padre (depois aconteceram algumas coisas que posso abordar em outra publicação). Em dois mil e quatro, nasceu a minha irmã, mas eu me manti o favorito.
Isso é horrível para mim hoje em dia. Sempre foi e eu nunca tinha percebido. Agora tenho que carregar um peso que eu não criei. O meu primo passou para o Colégio Pedro II, a minha família quer que eu entre para ele também, mas eu não quero. Me obrigaram a fazer a prova esse ano. Fiz merda no cartão resposta só para eu não passar. Minha irmã está se apaixonando por xadrez e venceu um campeonato, agora querem que eu vá competir em natação. Joguei a inscrição da competição fora e fingi perder (não sou obrigado a nada). O meu primo tem treze anos e já namora, eu tenho quinze e nunca toquei em uma boca. A família está fazendo pressão involuntária para eu namorar alguém. A religião subiu a cabeça da minha avó aposentada, mas o garotinho que queria ser padre conheceu a filosofia e ficou louco, agora ele acha que Deus está morto. Se eu for contar tudo isso para toda a minha família, vou decepciona-los. O favorito não tem liberdade.
Minha irmão muitas vezes me dizia que invejava o meu "cargo", mas agora sou eu quem tem a inveja. Ela pode falhar e tentar de novo um milhão de vezes, mas eu só posso fazer uma vez e tenho que acertar.
São três e cinquenta e seis da manhã, e o Revolucionário Morto escreveu tudo isso, porque não conseguia dormir. Minha mente se tornou um campo de batalha. Eu via o sangue destas palavras correrem pelo travesseiro, elas estavam batalhando com a a minha vaidade, a vaidade de ser o favorito, que me custa a liberdade. O som dos canhões me assustava mais do que o som do relógio do tempo que passava, mostrando quanto tempo eu perdi nesse teatro que era só para uma pateia que só aplaude os contos heroicos e troce o rosto para as tragédias inevitáveis. Devo romper minhas próprias correntes ou ser o escravo do falso moralismo e ver minha liberdade agonizar se afogando em seu próprio sangue ao meu lado.

O Revolucionário Morto.